Água quente

Caía

Caía e molhava 

o corpo da mulher

Acariciava-lhe o couro cabeludo

Massageava-lhe levemente as costas cansadas

Descia pelo rosto e beijava-lhe a boca de lábios finos

A língua 

se punha para fora respondendo ao beijo

engolindo a água com vontade.

Lambia-lhe a nuca e o pescoço

buscando o colo macio

As pintas marrons já dilatadas

Deleitadas.

Escorreu até o bico rosado

parou ofegante
Gotejava.

O vapor subia até o teto

tomava as paredes

embaçava o espelho

Testemunhas oculares.

A água envolveu numa dança

circular

o abdome lunar.

Rodopiavam.

Entrou no umbigo e ali ficou

Represada

Como se tomasse fôlego.

Pele

Poros

Pelos 

Púbis

Tudo ardia.

No meio das pernas

fluídos e água se misturaram

Regozijaram-se

Moles

desceu preguiçosamente 

pelas coxas fartas

até os pés.

Num movimento de adeus, 

chupou-lhe ainda o dedão

causando arrepios.

Então

sumiu pelo ralo

Rarefeitas

Satisfeitas.

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